{"id":2141,"date":"2015-05-09T00:00:12","date_gmt":"2015-05-09T03:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/pt-br\/?p=2141"},"modified":"2019-04-17T16:41:50","modified_gmt":"2019-04-17T19:41:50","slug":"hipnose-e-a-causa-do-problema-regressao-parada-obrigatoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/pt-br\/blog\/2015\/05\/09\/hipnose-e-a-causa-do-problema-regressao-parada-obrigatoria\/","title":{"rendered":"Hipnose e a causa do problema. Regress\u00e3o: parada obrigat\u00f3ria?"},"content":{"rendered":"<div class=\"ttr_start\"><\/div><h3><strong>A vis\u00e3o popular: o passado na hipnose e seu uso na regress\u00e3o de idade e de vidas passadas<\/strong><\/h3>\n<p>Na boca do povo, e na cabe\u00e7a de muitos terapeutas, regress\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o associada \u00e0 hipnose como est\u00e3o os n\u00fameros \u00e0 matem\u00e1tica. Mas seria realmente a hipnose por via de regra uma terapia regressionista? Seria esta abordagem a op\u00e7\u00e3o mais indicada em todo tratamento hipnoter\u00e1pico?<\/p>\n<h3><strong><strong>A associa\u00e7\u00e3o da regress\u00e3o \u00e0 hipnose e seus motivos<\/strong><\/strong><\/h3>\n<p>Por conta de forte influ\u00eancia da escola psicanalista freudiana no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, muitos profissionais consideram a regress\u00e3o, o reavivamento do passado, ou o reconhecimento dele, o m\u00e9todo terap\u00eautico hipn\u00f3tico mais eficaz.<\/p>\n<p>E embora todo o respeito hist\u00f3rico, o conhecimento e o reconhecimento popular a favor da regress\u00e3o, tamb\u00e9m influenciado pela expans\u00e3o do espiritismo e dos conceitos espiritualistas, tenha criado in\u00fameros seguidores da no\u00e7\u00e3o terap\u00eautica de que a regress\u00e3o \u00e9 o caminho priorit\u00e1rio no tratamento psicoter\u00e1pico, tornando-o favorito para muitos, \u00e9 importante notar o avan\u00e7o obtido no desenvolvimento das infinitas t\u00e9cnicas hipn\u00f3ticas espalhadas nos \u00faltimos 200 anos, muitas delas completamente distantes das no\u00e7\u00f5es regressionistas e outras impossivelmente compar\u00e1veis em termos de flexibilidade e poder\u00a0terap\u00eautico-transformacional.<\/p>\n<p>As no\u00e7\u00f5es de passado, presente e futuro no \u00e2mbito terap\u00eautico hipn\u00f3tico e seus devidos usos sempre existiram. Contudo, no Brasil, principalmente, a conversa quase sempre se encerra\u00a0na explora\u00e7\u00e3o do passado do hipnotizado, favorecendo a regress\u00e3o. O que nem sempre \u00e9 a melhor abordagem terap\u00eautica, principalmente para os indiv\u00edduos que n\u00e3o simpatizam com a regress\u00e3o como modalidade terap\u00eautica, seja esta de idade ou de vidas passadas.<\/p>\n<h3><strong>ATEN\u00c7\u00c3O: Regress\u00e3o \u00e0 200 metros<\/strong><\/h3>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, diversos pesquisadores e profissionais registraram diferentes\u00a0opini\u00f5es esclarecendo porque o uso da t\u00e9cnica regressionista, na hipnose ou fora dela, n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio e, que pode ser, at\u00e9 mesmo nocivo em alguns casos.<\/p>\n<p>O amadurecimento e a cria\u00e7\u00e3o de novos processo hipn\u00f3ticos, o surgimento, reconhecimento e amadurecimento da PNL, a populariza\u00e7\u00e3o da filosofia hipn\u00f3tica de Milton H. Erickson, o crescimento das escolas cognitivas, comportamentais e cognitivo-comportamentais, o reconhecimento da riqueza da sabedoria popular voltadas \u00e0 import\u00e2ncia do conv\u00edvio social como necessidades b\u00e1sicas, da identifica\u00e7\u00e3o do humor como ferramenta terap\u00eautica, da habilidade de foco da mente humana, e, mais ainda, pelas provas da natureza ilus\u00f3ria do tempo, de que s\u00f3 existe o agora, nos deixaram muito mais do que um rastro de id\u00e9ias de que <em>\u201cO melhor de tudo em rela\u00e7\u00e3o ao passado \u00e9 que ele j\u00e1 acabou.\u201d<\/em> (Richard Bandler).<\/p>\n<p>A insist\u00eancia do uso da regress\u00e3o ora deve-se a efic\u00e1cia comprovada, ora ao fasc\u00ednio nost\u00e1lgico experienciado, ora \u00e0 l\u00f3gica de encontrar a causa do problema onde ele foi criado e vivido pela primeira vez, ora como um rem\u00e9dio que busca a verdade como ela \u00e9, ora ao peso que pode ter o reavivamento de uma lembran\u00e7a,\u00a0e, ora como a \u00fanica sa\u00edda para resolver um problema nunca antes solucionado. Todas estas alternativas podem nos levar a entender que a\u00a0regress\u00e3o \u00e9 o melhor e talvez o \u00fanico meio dispon\u00edvel para o descobrimento da causa do problema \u00e0 ser tratado.<\/p>\n<p>Mas toda essa l\u00f3gica \u00e9 posta em desafio quando entendemos que todas as mudan\u00e7as que fazemos em nossas vidas que tiveram sucesso, fazemos sem pensar no passado, ou ao menos sem prestar muita aten\u00e7\u00e3o nele. Muitas mudan\u00e7as nas nossas vidas ocorrem de forma espont\u00e2nea.<\/p>\n<p>A n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o de causas que acompanham mudan\u00e7as dr\u00e1sticas, cotidianamente, s\u00e3o mais comuns do que costumam ser ponderadas pela filosofia regressionista. A &#8220;causa&#8221;, na cria\u00e7\u00e3o do h\u00e1bito e na dificuldade que \u00e9 enfrentada ao tentar mudar, quando descoberta, muitas vezes desperta apenas um entendimento dos fatores motivacionais por tr\u00e1s de um comportamento ou h\u00e1bito: as cren\u00e7as de cada um, o que j\u00e1 \u00e9 importante.<\/p>\n<p>Existem mais pessoas no mundo mudando suas vidas <strong>saud\u00e1vel e espontaneamente o tempo inteiro<\/strong>\u00a0do que pessoas com dificuldades tentando mudar suas vidas atrav\u00e9s de terapia. Mudan\u00e7as ocorrem sem que as acompanhemos. Por vezes, n\u00e3o notamos, ou somos avisados por terceiros delas. Al\u00e9m disso, \u00e9 extremamente compreens\u00edvel responsabilizar\u00a0o passado num momento de desorienta\u00e7\u00e3o e dificuldade emocional.<\/p>\n<h3><strong>Passado? Onde fica isso?<\/strong><\/h3>\n<p>N\u00e3o importa onde voc\u00ea v\u00e1, a solu\u00e7\u00e3o e o problema est\u00e3o sendo vividos agora. Esta \u00e9 uma das afirma\u00e7\u00f5es da escola terap\u00eautica n\u00e3o-regressionista.<\/p>\n<p>Algo tamb\u00e9m importante, \u00e9 que no estado hipn\u00f3tico, \u00e9 f\u00e1cil imaginar situa\u00e7\u00f5es e criar novas realidades. Isto torna poss\u00edvel o fato de que a mem\u00f3ria recuperada pela regress\u00e3o seja criada ou imaginada pelo hipnotizado. A escola regressionista possui ra\u00edzes psicanal\u00edticas e freudianas. Tal fato reverbera com o fato de em sua carreira, Freud ter abandonado a hipnose, decidindo que ela n\u00e3o serviria para os prop\u00f3sitos desejados por ele, dedicando-se ent\u00e3o ao desenvolvimento da psican\u00e1lise. Quando o fez, deixou claro o qu\u00e3o necess\u00e1rio era o descobrimento da causa do problema de seus pacientes para solucionar as neuroses e dificuldades em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, o que muitos parecem n\u00e3o saber ou ignorar, \u00e9 que Freud, embora um grande g\u00eanio da sa\u00fade mental, n\u00e3o foi e nem \u00e9 uma autoridade hipnoter\u00e1pica. Portanto, sua heran\u00e7a hipn\u00f3tico-terap\u00eautica, deve ser apreciada com ressalvas.<\/p>\n<p>As pesquisas hipn\u00f3ticas, totalmente desviadas das no\u00e7\u00f5es psicanalistas tendenciais e do mainstream, se mantiveram fortes at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, 1980. Com resultados incrivelmente eficazes, com a revela\u00e7\u00e3o dos norte-americanos Dave Elman, Milton Erickson, John G. Kappas, com o surgimento da PNL e com uma expans\u00e3o honrosa da hipnose pro Reino Unido nos anos 90. Quase todos os estudos desde a d\u00e9cada de 50 at\u00e9 a d\u00e9cada de 70, na minha opini\u00e3o, uma das \u00e9pocas mais promissoras da hipnose internacionalmente, exibiam provas dos bons resultados e do por que estudar mais hipnose no meio cient\u00edfico, do por que formalizar seu uso terap\u00eautico, do por que levar a s\u00e9rio a mesma. Muitos destes estudos, n\u00e3o tiveram como nenhuma base, o uso da t\u00e9cnica regressionista como m\u00e9todo terap\u00eautico.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, Henrique, porque a hipnose n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o respeitada e conhecida como a psican\u00e1lise ou como uma abordagem focada no passado? Respondo que isto j\u00e1 est\u00e1 mudando e que inevitavelmente observaremos as consequ\u00eancias positivas destas mudan\u00e7as no decorrer dos anos.<\/p>\n<h3><strong>Nem Freud explica<\/strong><\/h3>\n<p>A assinatura freudiana no desenvolvimento da hipnoterapia no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, influenciou o uso da hipnose por diversos praticantes. Um dos hipnoterapeutas de maior destaque pregador a escola regressionista foi o supracitado Dave Elman. Elman, como Freud, acreditava que era necess\u00e1rio desvendar a causa do problema, supostamente no passado, afim de encontrar solu\u00e7\u00f5es para problemas atuais. Elman durante sua carreira tratou in\u00fameros indiv\u00edduos e treinou diversos m\u00e9dicos americanos.<\/p>\n<p>Enquanto a escola regressionista hipn\u00f3tica e seus precursores afirmavam-se, outros hipnoterapeutas n\u00e3o-regressionistas, n\u00e3o exclusivamente regressionistas ou que n\u00e3o favoreciam o uso da regress\u00e3o como modalidade hipnoter\u00e1pica, tamb\u00e9m tornavam-se conhecidos por seu trabalho, entre eles est\u00e3o os tamb\u00e9m supracitados Milton H. Erickson e John G. Kappas, ambos profissionais bastante influentes na hist\u00f3ria da hipnose. Surgia tamb\u00e9m na \u00e9poca a PNL (Programa\u00e7\u00e3o Neurolingu\u00edstica), criada por Richard Bandler e John Grinder, que estudaram como excelentes resultados eram obtidos por excelentes profissionais e terapeutas.<\/p>\n<p>Deste mesmo modo, diversos acad\u00eamicos estudaram a hipnose como ferramenta terap\u00eautica. Parte destes acad\u00eamicos concluiu que n\u00e3o era necess\u00e1rio o uso da regress\u00e3o para que bons resultados fossem obtidos com o uso da hipnose, ideia tamb\u00e9m refor\u00e7ada por Kappas, Erickson, pela PNL de Bandler e Grinder e por diversas outras escolas terap\u00eauticas, como as cognitiva, comportamental e cognitivo-comportamental. Muitos acad\u00eamicos tamb\u00e9m refor\u00e7am que o uso da regress\u00e3o pode ser negativo pela experi\u00eancia de um poss\u00edvel reavivamento traum\u00e1tico, pelo desencadeamento de traumas n\u00e3o associados \u00e0 dificuldade posta em contexto, e pela cria\u00e7\u00e3o de falsas mem\u00f3rias, o que pode ser comum durante o transe hipn\u00f3tico. A literatura cient\u00edfica \u00e9 vasta em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo item.<\/p>\n<h3><strong>Hipnose e inflexibilidade terap\u00eautica<\/strong><\/h3>\n<p>Na hipnoterapia, a rela\u00e7\u00e3o hipnoterapia\/hipnotizado pode ser curta, muito curta. A cren\u00e7a pessoal do hipnoterapeuta influencia diretamente nos resultados obtidos no tratamento. Na hipnose, com poucas sess\u00f5es muitas vezes pode-se experienciar uma mudan\u00e7a completa ou um progresso invej\u00e1vel, quando comparamos com outras modalidades psicoter\u00e1picas.<\/p>\n<p>Para que a experi\u00eancia do hipnotizado seja rica e recompensadora, \u00e9 recomendado que o hipnoterapeuta mantenha-se aberto \u00e0s cren\u00e7as do hipnotizado, enquanto, ao mesmo tempo, exerce o papel profissional de guia, mentor, facilitador e terapeuta. Pode-se afirmar que a hipnoterapia e o hipnoterapeuta ideal \u00e9 aquele que sabe adequar-se \u00e0 realidade do hipnotizado sem abrir m\u00e3o do seu profissionalismo e expertise hipn\u00f3tico.<\/p>\n<h3><strong>N\u00e3o \u00e9 hipnose<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 comum ver a regress\u00e3o promovida como uma t\u00e9cnica n\u00e3o-hipn\u00f3tica. E, dada a natureza do transe hipn\u00f3tico, isto \u00e9 totalmente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma pr\u00e1tica que gera conforto tanto para o terapeuta, quanto para o hipnotizado, uma vez que todo o medo e inseguran\u00e7a provocada pela hipnose \u00e9 descartada de imediato quando entende-se que aquele procedimento de palco, assustador, perigoso, que toma o controle das pessoas, n\u00e3o ser\u00e1 utilizado.<\/p>\n<p>Mas o que seria melhor? Promover a informa\u00e7\u00e3o sobre o que \u00e9 hipnose e educar cada hipnotizado, ou usufruir dos benef\u00edcios terap\u00eauticos e sugestion\u00e1veis da hipnose sem ao menos tratar deste assunto?<\/p>\n<h3><strong>Uma decis\u00e3o profissional: o papel do hipnoterapeuta<\/strong><\/h3>\n<p>Todos devem ser educados sobre a hipnose, como ela funciona e como a mesma ocorre diariamente sem que sequer possamos acompanhar, especialmente quando n\u00e3o entendemos o que ela \u00e9.<\/p>\n<p>Nem todos compartilham da cren\u00e7a acima. De fato, grande parte dos profissionais que optam por trabalhar com a modalidade regressionista sem associ\u00e1-la \u00e0 hipnose o fazem por:<\/p>\n<ul>\n<li>Receio de tocar num assunto considerado delicado com seus clientes;<\/li>\n<li>Transmitir maior confian\u00e7a aos clientes evitando desencadear as inseguran\u00e7as por ora causadas pela hipnose;<\/li>\n<li>Evitar a necessidade de desfazer e esclarecer os mitos acerca da hipnose;<\/li>\n<li>Desconhecimento da natureza do transe hipn\u00f3tico e suas variantes di\u00e1rias;<\/li>\n<li>Terem sido ensinados a atuar desta forma, fazendo-o deliberadamente, ou;<\/li>\n<li>Simples prefer\u00eancia pessoal;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sendo a natureza do transe hipn\u00f3tico o uso da aten\u00e7\u00e3o para levar o hipnotizado a um resultado final, tendo como consequ\u00eancia a realiza\u00e7\u00e3o deste, n\u00e3o existe regress\u00e3o sem hipnose. Contudo, uma vez que o transe hipn\u00f3tico \u00e9 algo t\u00e3o natural, n\u00e3o h\u00e1 necessidade ritual\u00edstica para alcan\u00e7ar o\u00a0est\u00e1gio regressionista, visto que o mesmo ocorre diariamente sem que notemos.<\/p>\n<h3><strong>Regress\u00e3o: antes e depois dela<\/strong><\/h3>\n<p>O procedimento regressionista hipn\u00f3tico tem como objetivo obter bons resultados terap\u00eauticos. \u00c9 dado por certo que ap\u00f3s um procedimento regressionista, nada de demais pode acontecer, caso o mesmo encontre a causa do problema e o mesmo seja solucionado. Contudo, no momento da regress\u00e3o, h\u00e1 sempre a possibilidade do cliente reviver outras id\u00e9ias associadas \u00e0 \u00e9poca mesmo ap\u00f3s o procedimento terap\u00eautico, independente de uma forte catarse emocional ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>A possibilidade de regredir espontaneamente dias ap\u00f3s o procedimento regressionista pode ser comparada ao fato de regress\u00f5es espont\u00e2neas ocorrerem normalmente ocasionalmente, quando encontramos um amigo de longa data, quando sentimos saudades e lembramos de uma pessoa querida que j\u00e1 se foi, quando revivemos a inf\u00e2ncia e outros momentos naturalmente nost\u00e1lgicos. Ap\u00f3s a regress\u00e3o, tais lembran\u00e7as podem ocorrer com frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o maiores; tendo este acontecimento fun\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas ben\u00e9ficas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 importante falar tamb\u00e9m, que, dada a natureza da mente humana ao uso da mem\u00f3ria seletiva, todo e qualquer procedimento terap\u00eautico possibilita o desencadeamento de mem\u00f3rias associadas \u00e0 situa\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es semelhantes. Estados emocionais conhecidos trar\u00e3o mais estados emocionais conhecidos. Contudo, muitas vezes no procedimento regressionista lidamos com momentos traum\u00e1ticos ou desconfort\u00e1veis, e \u00e9 justamente este tipo de sele\u00e7\u00e3o mnem\u00f4nica que gostar\u00edamos de evitar no est\u00e1gio p\u00f3s-regressionista. Nestes casos, uma lembran\u00e7a p\u00f3s-regressiva inc\u00f4moda pode ter a tend\u00eancia de permanecer durante dias, semanas ou meses.<\/p>\n<p>Este entendimento reduz, mas n\u00e3o limita, o entendimento da regress\u00e3o como a simples lembran\u00e7a e reavivamento de experi\u00eancias do passado, podendo estas ocorrerem no consult\u00f3rio, sendo terap\u00eauticas ou fora deste, sendo verdadeiramente espont\u00e2neas. A natureza destas lembran\u00e7as podem ser boas ou ruins, dado o entendimento da mem\u00f3ria seletiva que opera de forma independente na mente humana e levando em considera\u00e7\u00e3o o uso deliberado de tais mem\u00f3rias para a inova\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o individual di\u00e1rias.<\/p>\n<h3><strong>A causa inexistente: quando a causa n\u00e3o \u00e9 encontrada<\/strong><\/h3>\n<p>Outro item que pode colocar em questionamento o uso da regress\u00e3o como ferramenta terap\u00eautica s\u00e3o os epis\u00f3dios em que alguns terapeutas, munidos pela cren\u00e7a de que a regress\u00e3o \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para todos os problemas, a utilizam repetida, continua e indiscriminadamente, independente dos resultados obtidos, sess\u00e3o ap\u00f3s sess\u00e3o de hipnose. Nestes casos, as chances de uma resolu\u00e7\u00e3o terap\u00eautica s\u00e3o reduzidas ao simples uso da regress\u00e3o para encontrar a causa correta do problema, sendo aqui, a regress\u00e3o terap\u00eautica, a \u00fanica t\u00e9cnica empregada pelo profissional.<\/p>\n<p>Diversas sess\u00f5es s\u00e3o realizadas at\u00e9 que o cansa\u00e7o vence a abordagem regressionista. Classifico estes eventos como casos de \u201ccausa inexistente\u201d.<\/p>\n<h3><strong>A abordagem no presente: hipnose no aqui e agora<\/strong><\/h3>\n<p>Quando entendemos que todo problema ocorre agora, s\u00f3 existe o presente: o que \u00e9 sentido, o que \u00e9 vivido e o que \u00e9 falado no momento atual. Toda interpreta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 alterada de acordo com o que \u00e9 sentido. As cren\u00e7as s\u00e3o os itens mais importantes \u00e0 serem trabalhados na terapia. Definem-se por, por\u00e9m n\u00e3o limitam-se \u00e0: subjetividade da experi\u00eancia humana, a vida em geral, o cotidiano, o antes, o durante e o depois de cada momento, os ciclos de mudan\u00e7a, transforma\u00e7\u00e3o e mantenimento da personalidade, das suas percep\u00e7\u00f5es, dos processos cognitivos, dos comportamentos e dos h\u00e1bitos. O estudo de novas estrat\u00e9gias de tratamento, a avalia\u00e7\u00e3o constante dos resultados obtidos \u00e0 cada sess\u00e3o e o acompanhamento terap\u00eautico s\u00e3o cruciais para que o processo hipnoter\u00e1pico seja org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Vale frisar que o terapeuta que prefere atuar no momento presente n\u00e3o descarta a import\u00e2ncia do passado, mas o utiliza como recurso adicional, integrativo, como algo que possui a capacidade de corroborar o potencial da sua abordagem terap\u00eautica. Na hipnose, a pr\u00e1tica hipnoter\u00e1pica n\u00e3o-regressionista d\u00e1 um espa\u00e7o maior \u00e0 pr\u00f3pria criatividade do hipnoterapeuta e do hipnotizado; cria ra\u00edzes para um aprendizado valioso, est\u00e1vel e constante. O foco aqui \u00e9 manter um n\u00edvel de independ\u00eancia e autoconhecimento que pode ser reutilizado sempre que necess\u00e1rio, n\u00e3o limitando o escopo de solu\u00e7\u00e3o, muito menos escravizando o hipnotizado ao processo terap\u00eautico, que, por vezes, tende a angariar resultados de forma extremamente r\u00e1pida e mais flex\u00edvel do que na abordagem regressionista.<\/p>\n<p>Para obter sucesso na abordagem do presente \u00e9 crucial que as vari\u00e1veis corretas sejam levantadas, colocadas em quest\u00e3o e que o hipnoterapeuta esteja apto a identificar o que \u00e9 relevante para o caso em particular, descartando muitos dos procedimentos convencionais estabelecidos at\u00e9 mesmo por escolas hipnoter\u00e1picas antigas e as mais tradicionais, baseadas na pr\u00f3pria abordagem hipn\u00f3tico-regressionista em quest\u00e3o, ou na psicoterapia tradicional, herdada da psican\u00e1lise.<\/p>\n<h3><strong>O caminho do hipnoterapeuta<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 importante que o hipnoterapeuta explore diferentes procedimentos terap\u00eauticos e diferentes t\u00e9cnicas para obter os resultados desejados por quem o procura. Cada indiv\u00edduo \u00e9 \u00fanico; cada cabe\u00e7a \u00e9 um mundo. Cabe ao profissional que costuma utilizar a regress\u00e3o como ferramenta terap\u00eautica buscar, entender, acompanhar e observar seus resultados, benef\u00edcios da sua aplica\u00e7\u00e3o comparadas a outras t\u00e9cnicas hipn\u00f3tico-terap\u00eauticas e decidir qual o melhor caminho a ser tomado.<\/p>\n<h3><strong>Como eu atuo<\/strong><\/h3>\n<p>Opto sempre pela cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias individuais adequadas \u00e0 cada caso. A utiliza\u00e7\u00e3o de conceitos diversos e o enriquecimento da aplica\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas hipn\u00f3ticas se d\u00e3o no momento em que o hipnotizado \u00e9 descoberto, investigado em meu consult\u00f3rio. Sem d\u00favida a experi\u00eancia e semelhan\u00e7a de alguns casos complementam-se, contudo, pr\u00e9-defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o postas em questionamento \u00e0 todo o tempo. O caminho est\u00e1 sempre aberto e \u00e9 sempre pass\u00edvel a mudan\u00e7a, visto que a \u00fanica constante aqui, \u00e9 a busca pelo bem-estar e pelo resultado desejado por cada indiv\u00edduo. Naturalmente h\u00e1 um acordo entre as partes para que a compreens\u00e3o do trabalho \u00e0 ser realizado seja esclarecida e beneficie tanto a estrutura estrat\u00e9gica oferecida pelo hipnoterapeuta, quanto pelo hipnotizado.<\/p>\n<p>No final das contas, o hipnoterapeuta atento se utilizar\u00e1 sempre da melhor hipnose existente: a que o hipnotizado nos traz.<\/p>\n<span id=\"post-ratings-2141\" class=\"post-ratings\" data-nonce=\"3404e0b27a\"><img decoding=\"async\" id=\"rating_2141_1\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/stars_crystal\/rating_on.gif\" alt=\"\" title=\"\" onmouseover=\"current_rating(2141, 1, '');\" onmouseout=\"ratings_off(5, 0, 0);\" onclick=\"rate_post();\" onkeypress=\"rate_post();\" style=\"cursor: pointer; border: 0px;\" \/><img decoding=\"async\" id=\"rating_2141_2\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/stars_crystal\/rating_on.gif\" alt=\"\" title=\"\" onmouseover=\"current_rating(2141, 2, '');\" onmouseout=\"ratings_off(5, 0, 0);\" onclick=\"rate_post();\" onkeypress=\"rate_post();\" style=\"cursor: pointer; border: 0px;\" \/><img decoding=\"async\" id=\"rating_2141_3\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/stars_crystal\/rating_on.gif\" alt=\"\" title=\"\" onmouseover=\"current_rating(2141, 3, '');\" onmouseout=\"ratings_off(5, 0, 0);\" onclick=\"rate_post();\" onkeypress=\"rate_post();\" style=\"cursor: pointer; border: 0px;\" \/><img decoding=\"async\" id=\"rating_2141_4\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/stars_crystal\/rating_on.gif\" alt=\"\" title=\"\" onmouseover=\"current_rating(2141, 4, '');\" onmouseout=\"ratings_off(5, 0, 0);\" onclick=\"rate_post();\" onkeypress=\"rate_post();\" style=\"cursor: pointer; border: 0px;\" \/><img decoding=\"async\" id=\"rating_2141_5\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/stars_crystal\/rating_on.gif\" alt=\"\" title=\"\" onmouseover=\"current_rating(2141, 5, '');\" onmouseout=\"ratings_off(5, 0, 0);\" onclick=\"rate_post();\" onkeypress=\"rate_post();\" style=\"cursor: pointer; border: 0px;\" \/> (<strong>2<\/strong> voto(s). Pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia: <strong>5,00<\/strong> de 5)<br \/><span class=\"post-ratings-text\" id=\"ratings_2141_text\"><\/span><\/span><span id=\"post-ratings-2141-loading\" class=\"post-ratings-loading\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.hipnoterapia.org\/wp-content\/plugins\/wp-postratings\/images\/loading.gif\" width=\"16\" height=\"16\" class=\"post-ratings-image\" \/>Loading...<\/span>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"ttr_end\"><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vis\u00e3o popular: o passado na hipnose e seu uso na regress\u00e3o de idade e de vidas passadas Na boca do povo, e na cabe\u00e7a de muitos terapeutas, regress\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o associada \u00e0 hipnose como est\u00e3o os n\u00fameros \u00e0 matem\u00e1tica. Mas seria realmente a hipnose por via de regra uma terapia regressionista? 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